35 sacerdotes rezam por migrantes diante do muro que separa México e Estados Unidos

35 sacerdotes rezam por migrantes diante do muro que separa México e Estados Unidos

9 de julho de 2019 0 Por PORTAL ACI

Trinta e cinco sacerdotes da Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeo, também conhecidos como Missionários Scalabrinianos, rezaram em Tijuana pelos migrantes e por “um mundo sem barreiras”, diante do muro que divide o México e os Estados Unidos.

Os Missionários Scalabrinianos foram fundados pelo Beato Bispo João Batista Scalabrini no final do século XIX, e seu carisma se expressa na atenção aos migrantes em todo o mundo.

Os sacerdotes participantes provinham de comunidades de países como Estados Unidos, México, Canadá, Guatemala, El Salvador, Colômbia, Vietnã, Haiti, entre outros.

Em diálogo com o Grupo ACI, Pe. Patrick Murphy, sacerdote scalabriniano e diretor da Casa do Migrante em Tijuana, disse que os sacerdotes participaram de um encontro internacional nos Estados Unidos “e viriam para visitar a nossa casa. Eu lhes disse: somos 35 padres, seria bom rezar no muro para pedir a ajuda de Deus. Porque não encontramos outras respostas, então devemos colocar as coisas nas mãos do Senhor”.

“Para muitos padres, foi a primeira visita ao que é Tijuana e ao muro”, disse.

O momento de oração durou cerca de 15 minutos e pediram ajuda e esperança a Deus, assim como “que procuremos soluções humanitárias para o que é uma crise humanitária. Estão chegando aqui em Tijuana, vindos de todos os lados, e precisamos de soluções de compaixão, não apenas de política”.

Pe. Murphy indicou que, em média, a Casa do Migrante em Tijuana atende cerca de 120 pessoas por dia. Enquanto na maior parte dos seus 32 anos de funcionamento, chegavam à casa principalmente homens, nos últimos tempos também chegaram mulheres e crianças.

O sacerdote disse que o número de crianças chegou a um ponto que “tivemos que organizar um programa para crianças, um tipo de escola para que elas não passem seu tempo sem fazer nada na casa”.

Muitos dos que chegam solicitaram asilo nos Estados Unidos e aguardam a resposta das autoridades. Mas este processo, indicou Pe. Murphy, pode levar muitos meses.

“É muito tempo e estamos conseguindo trabalho para alguns homens e mulheres. E nós cuidamos das crianças enquanto estão trabalhando”, indicou.

Para o sacerdote, a “palavra-chave” do drama dos migrantes é “‘desespero’, porque arriscam a vida para chegar a Tijuana e todos vêm com a ideia de que vai ser fácil conseguir asilo político, e não recebem bons conselhos no sul, porque não é nada fácil”.

“Os dois governos querem que eles voltem para sua casa, não querem que cheguem, nem cruzem, nem nada”, disse.

Indicou que a Guarda Nacional chegou à região, é a nova equipe de segurança estabelecida em 1º de julho pelo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, e que substituirá, entre outras instituições, a Polícia Federal.

A implantação da Guarda Nacional para temas de migração foi parte dos acordos aceitos pelo México para evitar que os Estados Unidos imponham fortes tarifas a diversos produtos.

Pe. Murphy assinalou que, embora digam que a Guarda Nacional chegou “para resgatar pessoas”, isso não é exatamente o que estaria acontecendo.

“Estão pedindo papéis e estão deportando. O México está deportando pessoas todos os dias. Estão fazendo o trabalho sujo do governo dos Estados Unidos”, criticou.

Para o sacerdote scalabriniano, a solução para o drama dos migrantes é “consertar as coisas no país de origem. Nosso fundador, o Beato Scalabrini, sempre disse que o povo tem o direito de não migrar”.

O que é necessário, continuou, “é uma solução regional dos três, quatro países da América Central, Estados Unidos, México e Canadá para consertar as coisas em seus lugares de origem para que não tenham que migrar e arriscar a vida”.

Pe. Murphy também recordou o recente drama de Óscar, o pai salvadorenho que morreu afogado com sua filha Valeria, de apenas 23 meses, enquanto tentava atravessar o Rio Grande (conhecido pelos mexicanos como Rio Bravo) para chegar aos Estados Unidos.

“É um forte símbolo do que está acontecendo”, disse. “Não são os primeiros a morrer nem os últimos, porque o número de mortes está aumentando”, lamentou.

O sacerdote disse que “as pessoas não vêm a Tijuana para atravessar. Se vão atravessar, atravessam pelo deserto, pelas montanhas e passam por caminhos mais perigosos. Agora mesmo no caminho de Mexicali – La Rumorosa (NdR.: No estado mexicano de Baja California), há a Guarda Nacional parando as pessoas. As opções para cruzar são cada vez menos”.

“A morte é uma coisa muito forte para nós, porque há outros que morrem que não aparecem na foto, mas morrem no caminho. É por isso que temos que procurar soluções de vida, para que as pessoas não cheguem a este desespero”, expressou.